terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Armário: Assumindo-se Gay


O desenvolvimento vital dos heterossexuais é bem previsível e mais tranqüilo que o dos homossexuais. O jovem heterossexual não precisa passar por um processo para assumir para si mesmo e nem para os outros que é heterossexual. Segundo Castañeda (2007), como a homossexualidade ainda é considerado um tabu nas culturas ocidentais, o adolescente homossexual tem inúmeras dificuldades para lidar com a sua sexualidade diferente e estigmatizada.

O processo de assumir-se como homossexual vai desde a noção dos seus sentimentos e desejos, que são diferentes dos seus colegas, até a visibilidade e conhecimento do homossexual pelos estranhos. Para Isay (1998), a consciência de que se é gay se intensifica no início da adolescência por meio de desejos e fantasias homossexuais e por práticas sexuais. Se o adolescente tem experiências homossexuais satisfatórias, há uma motivação para que ele tenha uma auto-imagem saudável que facilitará assumir-se perante amigos gays, adultos e posteriormente aos pais e outros familiares.

O adolescente homossexual inicia esta etapa de sua vida com uma sobrecarga e uma liberdade não compartilhadas pelos adolescentes heterossexuais. Alguns já se viam e se sentiam diferentes desde crianças e, quando adultos, conseguem resgatar a lembrança de terem um comportamento atípico (Isay, idem).

Os adolescentes de doze a quinze anos muitas vezes reprimem ou suprimem seus sentimentos e desejos porque percebem o preconceito nas atitudes dos pais e amigos em relação aos sujeitos gays (Isay, idem). Segundo Mott (1996, p. 45), é desorientador em termos emocionais e sociais para um adolescente se assumir como homossexual, pois isso significa enfrentar provável rejeição e/ou discriminação pela sociedade. Diante de barreiras dessa natureza, há homossexuais que se isolam, sem compartilhar seus sentimentos e provável sofrimento.

A autopercepção do adolescente homossexual é a tarefa mais importante do desenvolvimento do processo de se assumir. É o início da consolidação e da integração de sua orientação sexual. A princípio, o início da sexualidade dos homossexuais poderia se integrar positivamente, mas se torna um processo árduo e difícil para muitos por causa da rejeição inicial dos pais, depois dos amigos e dos estranhos (Isay, 1998).

Seria razoável supor que, assim como o adolescente heterossexual, o adolescente homossexual de doze ou treze anos estaria preparado para reconhecer a sua homossexualidade a partir do surgimento dos impulsos sexuais na época da maturação psicológica; mas há vários motivos para a demora neste processo, um deles é a sua auto-estima danificada. Assim, provavelmente, é a partir dos dezoito anos que os adolescentes homossexuais são capazes de assumir para si mesmos a sua homossexualidade (Mott, 1996).

De acordo com Castañeda (2007), para que o adolescente seja capaz de se assumir para si mesmo, é necessário que ele não se sinta relativamente preso aos danos causados à sua auto-estima, para ser superior à negação de seus sentimentos por pessoas do mesmo sexo, negação provocada pela sensação de ter sido rejeitado pelos pais, amigos e estranhos e por ser estigmatizado socialmente. É importante que ele tenha adquirido independência suficiente e autoconfiança para se assumir para si mesmo, a ponto de perceber que nunca será capaz de corresponder às expectativas de seus pais, no que se relaciona a uma vida convencional com família tradicional. Para Isay (1998, p. 81), “o adolescente gay que se assume tem oportunidade de planejar a sua vida sem ser coagido pelas expectativas e convenções sociais. Estas oportunidades trazem consigo a liberdade, assim como a responsabilidade, de determinar o seu próprio futuro”. A respeito do momento de assumir, trataremos nos próximos parágrafos.

O vocábulo inglês closet originou-se do latim clausum, particípio presente do verbo claudere, que significa “fechar” e tem outros significados antes de se referir ao homoerotismo. Designa, então, já designou um lugar reservado ou privado onde se tem conversações secretas ou um local para guardar objetos valiosos. Assim, representa o particular em oposição ao coletivo; o escondido em oposição ao que está descoberto; o pessoal em oposição ao social. Nesse sentido, a expressão to come out of closet ( “sair do armário” ou “Coming Out”) diz respeito ao fato de o sujeito homossexual assumir plenamente a sua homossexualidade em todas as suas relações (famíliar, escolar, profissional, amigos e estranhos) (Ferreira, 2007).

Neste trabalho, entendemos a expressão “sair do armário” como o momento em que o adolescente inicia a sua vida sexual e revela-se como gay em um nível íntimo (para si mesmo, família ou amigos) ou social (estranhos, escola ou trabalho). Essa expressão é complexa, pois não envolve somente o período da descoberta homossexual do adolescente, mas durante toda a vida do homossexual quando a sua sexualidade velada pode ser descoberta. Segundo Sedwick (1994), até os homoeróticos que assumem a sua sexualidade para os outros ou os mais abertos podem estar presos no armário com alguém pessoal, econômica ou institucionalmente importante para eles.

O termo “saindo do armário” demonstra um avanço no sentido de dar maior visibilidade, assegurando o respeito aos vínculos homoafetivos. Como bem diz Lead (1996), um fato marcante é o ‘armário’ em que o silêncio, o segredo, o disfarce, a privacidade e a restrição são características que o definem, sendo um obstáculo primário para autodeterminação gay. Considera o autor ‘saindo do armário’ como a culminação do movimento da individualização para a revelação, segundo Davies (1992, p. 76), e ainda para Plummer (1995, p. 82) “o ato mais significativo na vida de lésbicas e gays”.

O homossexual nunca está 100% fora do armário. Mesmo que tenha perfeitamente assumido a sua homossexualidade não podemos afirmar que ele saiu totalmente do armário, pois sempre haverá pessoas ou situações novas que ele será considerado heterossexual até que o descubram. Isso não uma visão sobre a integridade do homossexual, mas de como a sociedade automaticamente vê outro, sempre como heterossexual (Castañeda, 2007).

Apesar da família ou amigos saberem ou desconfiarem da orientação sexual do homossexual, continuarão, muitas vezes, a tratá-lo como se fosse um heterossexual. Muitos pais têm a esperança de que o filho adolescente só esteja passando por uma fase e que, a qualquer momento, aparecerá em casa com uma namorada. O fato também do adolescente homossexual se passar por heterossexual em festas e na escola faz com que o jovem permaneça fechado, escondido e sem ser descoberto. Assim, segundo Castañeda (2007, p. 106), “o famoso armário não serve para apenas para se esconder, mas também para esconder o que a sociedade se recusa a ver”.

Referências Bibliográficas
CASTAÑEDA, Marina. A experiência homossexual. São Paulo: A Girafa, 2007.
DAVIES, P. The role of disclosure in coming out among gay men. In: Ken Plummer (ed.), Modern homosexualities. New York: Routledge, 75-85, 1992.
FERREIRA, R. C. O Gay no Ambiente de Trabalho: análise dos efeitos nas organizações contemporâneas. Dissertação de Mestrado. Departamento de Administração. Universidade de Brasília: Brasília, 2007.
ISAY, Richard A. Tornar-se gay: o caminho da auto-aceitação. São Paulo: Summus, 1998.
LEAP, Willian. Language, Socialization, and Silence i Gay Adolescence. In:
Bucholtz, Mary; Liang, A.C. e Sutton, Laurel A. (eds) Reinventing
identities: the gendered self in discourse. New York/ Oxford: Oxford
University Press, 1999. p. 259-272.
LEERS, B. Homossexuais e ética cristã. Campinas: Átomo, 2002. RIO Grande do Sul. Assembléia Legislativa. Comissão de Cidadania e Direitos Humanos. Relatório azul: garantias e violações dos direitos humanos no RS. Porto Alegre: Assembléia Legislativa do Estado do RS, 2002.
LIANG, A.C. Conversationally implicating lesbian and gay identity. In:
Bucholtz, Mary; Liang, A.C. e Sutton, Laurel A. (eds) Reinventing
identities: the gendered self in discourse. New York/ Oxford: Oxford
University Press, 1999. p. 293-310
MOTT, L. Os homossexuais: as vítimas principais da violência. In: VELHO, G.;
PLUMMER, K. Telling sexual stories: Power, change and social worlds. London: Routledge, 1995.
SEDGWICK, E. K. Epistemology of the Closet. Berkeley / Los Angeles: University of California Press, [1990]1994.
Texto extraído da dissertação de Mestrado:
SANTOS, Izaac Azevedo dos. Narrativas de um adolescente homoerótico: conflitos do ‘eu’ na rede de relações sociais da infância à adolescência. Rio de Janeiro, 2008. Dissertação de Mestrado – Departamento de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Texto completo na internet:
http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/biblioteca/php/mostrateses.php?open=1&arqtese=0610578_08_Indice.html


O Armário Homossexual: Danos e Esperança



Estereótipos de que os homossexuais são inferiores, que possuem defeitos de caráter moral, são mantidos tanto por instituições sociais (tais como família, escola, Igreja e Estado) como pelos meios de comunicação de massa em geral (Nunan, 2003). São imagens tão difundidas que se torna difícil deixar de internalizá-las em algum grau, sobretudo durante a infância (Pereira & Leal, 2002). Homossexuais que internalizam estas crenças podem se sentir inferiores aos heterossexuais e incapazes de alcançar objetivos que contradigam o preconceito. Os eventos de vida negativos decorrentes do preconceito institucionalizado e da discriminação podem ser chamados de “estressores externos”, enquanto que os “estressores internos” seriam aqueles ligados ao preconceito internalizado (Lipp, 2001). Em outras palavras, pode-se dizer que quando o estereótipo é muito forte ou pernicioso, membros do grupo alvo tendem a aceitá-lo e incorporá-lo à sua autoimagem, fazendo com que sentimentos negativos com relação à própria orientação sexual sejam generalizados para o self como um todo, aqui entendido como o si-próprio, ou seja, como a totalidade do eu, e não como uma instância psíquica (Laplanche & Pontalis, 1985). Este processo se assemelha ao proposto por Allport (1979/1954) sobre os traços devidos à estigmatização, segundo o qual indivíduos estigmatizados apresentam reações defensivas, como reflexo do preconceito experienciado na sociedade. Estes mecanismos podem ser “extrovertidos” (uma preocupação obsessiva com características ou comportamentos que possam revelar a homossexualidade), ou “introvertidos” (incluindo ódio contra si mesmo e identificação com o agressor). Postulamos, junto com Williamson (2000), que os mecanismos considerados “introvertidos” podem ser equacionados com as teorias correntes sobre preconceito internalizado (Friedman & Downey, 1995; Igartua,Gill & Montoro, 2003).


Os homossexuais tem frequentemente em sua história muitas oportunidades para introjetar ( internalizar ) sentimentos negativos em relação a si mesmo. Desde muito cedo eles aprendem a se enxergar sob um prima de menos valia e a temer as consequências de sua auto-revelação. Os caminhos que desenvolve para serem aceitos ( e amados ), quase sempre pressupõem compensações psiquícas e emocionais perigosas, introjetar as humilhações vividas ou percebidas marcam a vida de um homossexual.

Ser homossexual em uma sociedade heteronormativa é quase um sinônimo de sofrimento. Sofrimento esse que homossexuais dentro do armário veem os que estão de fora ( assumidos ) sofrerem e por isso criam sentimentos e mecanismos de defesa afim de esconder a sua real orientação sexual, levando-os aos caminhos obscuros do sexo compulsivo e obsessivo que leva muitos ao contágio de doenças sexuais. Na prática clínica podemos observar que os pacientes assumidos tendem a possuir relacionamentos mais estáveis, duradouros e conscientes, aonde o que “pode” e “não pode”, o que “deve” e o que “não deve” é colocado a frente da adrenalina que um relacionamento escondido “dentro” do armário proporciona. Podemos compreender o mal-estar de “estar no armário” através dos mecanismos de defesa, dentre eles podemos citar os principais:


Projeção

Às vezes as pessoas se recriminam ou se sentem mal por terem certos pensamentos ou impulsos. Podem atribuí-los então a alguém, projetando nessa pessoa os seus próprios sentimentos. Ex: Uma pessoa que esta dentro do armário tem uma certa “mania” de projetar a ideia de que o outro esta no armário afim de proteger seu ego ( que é a função de todo mecanismo de defesa ).


Negação

Provavelmente é o mecanismo de defesa mais simples e direto, pois alguém simplesmente recusa a aceitar a existência de uma situação penosa demais para ser tolerada. Ex: Um homem é pego com um travesti na cama e ao ser questionado diz que não sabia que era um travesti, embora seja uma mentira.

Formação reativa

Quando um sentimento, um impulso ou desejo não pode ser realizado por conta de princípios elaborados pela sociedade heteronormativa um homossexual enrustido ataca outro como forma de expressar seu desejo reprimido. Ex: Um homem que “não suporta” a homossexualidade e odeia homossexuais e vivem por atacá-los é provavelmente um homem com questões não resolvidas no âmbito sexual.

De acordo com Castañeda (2007), para que o adolescente seja capaz de se assumir para si mesmo, é necessário que ele não se sinta relativamente preso aos danos causados à sua auto-estima.

Na resolução desse problema, devemos procurar enxergar a nossa natureza e por mais difícil que seja aceitá-las sempre e assumi-las no tempo exato. Na nossa personalidade, no inconsciente à uma área a qual se foi denominada por Jung como Sombra. Esta área é formada por aspectos desconhecidos e pouco conhecidos do “eu” que foram de uma certa forma “esquecidos”, “apagados” ou “reprimidos” da consciência por serem incongruentes com a imagem que devemos ter de nós mesmos. Esta sombra consiste tanto de atores da esfera pessoal, como também de certo ângulos de fatores coletivos. Sobre esta sombra de acordo a Dra. Von Franz escreve é “quando uma pessoa tenta ver sua sombra ela fica consciente das suas tendencias e impulsos que nega em si mesma, mas que consegue ver perfeitamente nos outros.”, esta na verdade é a forma simplificada que Jung estabeleceu para o mecanismo descrito por Freud e revisto por sua Filha Anna, a Repressão que com o tempo leva o indivíduo a comportamentos compulsivos, doentios, a ficar ansiosos e/ou depressivos, desencadeando até surtos psicóticos, levando muitos homossexuais ao consultório de Psiquiatria. 

Mas há esperança.

Para Isay (1998, p. 81), “o adolescente gay que se assume tem oportunidade de planejar a sua vida sem ser coagido pelas expectativas e convenções sociais. Estas oportunidades trazem consigo a liberdade, assim como a responsabilidade, de determinar o seu próprio futuro”

Para isto a principio requer que o indivíduo seja capaz de reconhecer, aceitar e finalmente integrar os aspectos de nossa sombra coletiva a personalidade social. E, como resultado, alcançar a totalidade psiquíca a qual todos tem direito.

Se você é homossexual e não é assumido e esta ansioso, depressivo, inquieto, desconfie que é por conta de seus mecanismos inconscientes. Se assumir não tem hora exata e nem momento ideal, ele surge quando você se da a oportunidade de ser feliz. Caso esteja com dificuldades de se assumir, não existe em procurar a ajuda de um profissional.

Fontes:

Desiguais, Klecius Borges

http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/article/view/12212/13925

CASTAÑEDA, Marina. A experiência homossexual. São Paulo: A Girafa, 2007.

AVIES, P. The role of disclosure in coming out among gay men. In: Ken Plummer (ed.), Modern homosexualities. New York: Routledge, 75-85, 1992.
FERREIRA, R. C. O Gay no Ambiente de Trabalho: análise dos efeitos nas organizações contemporâneas. Dissertação de Mestrado. Departamento de Administração. Universidade de Brasília: Brasília, 2007.
ISAY, Richard A. Tornar-se gay: o caminho da auto-aceitação. São Paulo: Summus, 1998.

A homossexualidade além da sexualidade


Hoje se sabe que um dos maiores grupos alvos de preconceito são os homossexuais, taxados como “anti-família” por muitos – a maioria ligados a movimentos religiosos – são catalogados como promíscuos, pornográficos, maníacos sexuais, imorais tudo por causa de uma visão preconceituosa interiorizada e depois exteriorizada até mesmo pelo termo “homossexualidade” que em sua literalidade diz: Pessoas que sentem atração sexual por outras do mesmo sexo. Embora o termo se aplique a muito mais que isso. Um homossexual não é um ser somente sexual, é também um ser emocional e espiritual que tem suas aspirações, seu desejo de amar e ser amado, é um erro olhar o homossexual como alguém movido apenas de desejo sexual, é também movido por afetividade e espiritualidade, assim como os heterossexuais.
Paremos então de ver a homossexualidade sob o ponto de vista sexual e passemos a enchergá-la como um fenômeno holístico que envolve todos os aspectos físicos e emocionais.
A maioria dos homossexuais querem constituir família, a maioria prefere uma relação monogâmica.
A sexualidade não se limita apenas ao do desejo sexual, mas também ao campo da afetividade que é intimamente ligada e inseparável do desejo sexual presente também nos bissexuais e heterossexuais.  

Pesquisa comprova que homofóbicos são em maioria aqueles que não toleram sua homossexualidade


Muitos aqui já sabem a minha posição como psicanalista, sempre cito o mecanismo da formação reativa de Freud, muitos me questionam dizendo que é muito empírico e que não há provas para tal. Antes de irmos para a pesquisa, deixe-me novamente te explicar o que é Formação reativa.
Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade. Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.
Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.
Ou seja, para os leigos, toda pessoa que critica com base na “moral”, com muita rigidez, extravagância, alarde, gritaria esta na realidade querendo esconder o seu real desejo, quando ele diz por exemplo: “A homossexualidade é imoral”, ele esta querendo esconder o desejo de relacionar com alguém do mesmo sexo, ele precisa afirmar sua posição contrária para satisfazer seu ego e isso vira uma obsessão, fica doentio, o que me leva a crer que Silas tem sérios problemas com sua sexualidade, assim como Julio Severo, João Campos e todos aqueles que se incomodam tanto e se defendem com base na moral bíblica, religiosa ou seja em qualquer outra com tanta veemência! Fica então o esclarecimento aos leitores 
 Agora vamos a pesquisa!
Em 1996, três psicólogos convidaram 64 voluntários, todos homens heterossexuais, para uma pesquisa, classificando-os em muito ou pouco homofóbicos de acordo com um questionário preenchido pelos sujeitos. Depois disso, foram assistir a três vídeos eróticos de cerca de 4 minutos casa, um mostrando um casal heterossexual, outro com duas mulheres e um com dois homens. Um sensor media o aumento da circunferência peniana, que reflete o grau de excitação sexual, durante os filmes. O resultado é que não houve diferença entre o grau de excitação entre os homofóbicos e não-homofóbicos diante do filme com duas mulheres nem com um casalMas houve uma diferença significativa no grau de excitação entre os dois grupos diante do filme com os homens: adivinhem? O Grupo mais homofóbico foi o que ficou mais tempo vendo o filme Gay e mais tempo exitado!  E não foi só isso. Os participantes deviam assinalar o quão excitados estavam em cada um dos filmes, e normalmente não houve discrepância entre o que os sujeitos diziam e o quanto era medido pelo sensor, a não ser nesse caso, quando os homofóbicos diziam-se menos estimulados do que o verificado em seus corpos – olha aí de novo o aspecto inconsciente apontado por Freud.
Minha última testemunha é o brilhante filme Beleza Americana, Oscar de melhor filme, melhor diretor (Sam Mendes), melhor ator (Kevin Spacey) e melhor roteiro no ano 2000. Um personagem homofóbico e neo-nazista acha que o vizinho (Spacey) é gay. O seu incômodo cresce ao longo do filme, até que, numa das melhores cenas, ele vai até o vizinho, beija sua boca e em seguida o mata com um tiro na cabeça. O desejo inconsciente rompe a barreira da repressão e leva ao beijo, mas é uma situação de tal forma intolerável que o faz exterminar a fonte desse desejo.
Pesquisa: 
Adams, H., Wright, L., & Lohr, B. (1996). Is homophobia associated with homosexual arousal?Journal of Abnormal Psychology, 105 (3), 440-445 DOI: 10.1037/0021-843X.105.3.440 

HOMOSSEXUALIDADE – OPÇÃO, ESTRATÉGIA OU EVOLUÇÃO?


HOMOSSEXUALIDADE – OPÇÃO, ESTRATÉGIA OU EVOLUÇÃO?

 
Ana Luiza D. M. Furlanetto, Fernanda Groth, Jéssica Jansen e Priscila Crete
Graduandas do Curso de Biologia - PUCPR


P
or que animais se dedicariam a comportamentos sexuais que não resultariam em sua reprodução, não produzindo descendentes que poderiam perpetuar a sua herança genética? Entender parte dos mistérios associados com as alterações genéticas e fisiológicas com esse tipo comportamento é o objetivo desse ensaio.
Em uma abordagem interacionista, considera-se que a orientação sexual é resultado da interação de fenômenos que têm lugar aos níveis genético, epigenético (fatores biológicos não-genéticos) e mêmico que são comportamentos que sofrem intensas ações culturais (FORASTIERI, 2006).
Estudos filogenéticos mostram que o comportamento homossexual não é recente. Segundo Moreira Filho (2008) a homossexualidade é tratada na história desde os primórdios da humanidade até os dias atuais, não é algo ‘moderno’, e mesmo antes de Cristo já se verificavam a existência de relações homossexuais. Como, na nossa espécie, o comportamento homossexual estar associada à manutenção da coesão social e no fortalecimento das relações entre indivíduos de uma mesma população. Um possível exemplo desse comportamento seriam as interações entre osguerreiros de Esparta, na Grécia antiga (BORGES, 2010). O “desacoplamento do comportamento sexual da mera reprodução, quando o sexo ganhou funções sociais diversas para os grupos humanos” (FORASTIERI, 2006). Porém alguns pesquisadores duvidam da teoria da relação social, demonstrando o exemplo de pingüins gays que negam copular com fêmeas, se unindo com outro macho para a vida toda. Uma quantidade significativa de trabalhos científicos vem confirmando que a homossexualidade permanente ocorre tanto em espécies monogâmicas e não monogâmicas.
Uma das preocupações em estudar por meio de comparações o homem e os animais é a garantia em separar os comportamentos homólogos e análagos como é o caso, por exemplo, certos vermes marinhos (Moniliformis dubius) cometem o chamado ‘estupro homossexual’. Os primatas apresentam comportamento sexual aparentemente homólogo ao comportamento homossexual humano como penetração anal, monta, masturbação mútua ou não, felação e contato genital. Esse comportamento é apresentado mais notavelmente entre jovens geralmente em jogos de submissão e dominância. (FORASTIERI, 2006). Logo mostrar a base biológica e identificar os fatores que os selecionaram é uma das grandes questões. (FORASTIERI, 2006).
Deve-se salientar no entanto que o comportamento sexual dos macacos, não incluem elementos cognitivos para a caracterização da orientação sexual, pois o comportamento homossexual exclusivo é um fenômeno ainda não observado em primatas não-humanos. (FORASTIERI, 2006). Porém tanto a homossexualidade como a bissexualidade são comuns no reino animal (GORDON, 2007), no entando a motivação para esse comportamento ainda não é compreendido na sua totalidade. Segundo o pesquisador Bagemihl (1999), em seus estudos de comportamento sexual de quase 1500 espécies, essa atitude nem sempre é ligada ao sexo. Em uma exposição “Homossexualidade animal”, no Museu de História Natural de Oslo, dizem que muitas vezes sexo é uma questão de prazer, ao invés de procriação, e que isso se aplica a animais do mesmo sexo, assim como os sexos opostos.
 
Os Bonobos têm uma sociedade matriarcal, incomum entre os símios, é uma espécie completamente bissexual. Tanto os machos como as fêmeas realizam atos tanto heterossexuais como homossexuais. Aproximadamente 60% da atividade sexual da espécie são entre duas ou mais fêmeas. Esses primatas fazem sexo para resolver conflitos, pedido de desculpas, ou para obtenção de prazer. Passam boa parte do dia se estimulando, e sexo oral é extremamente comum. As fêmeas possuem clitóris bem maior do que a das humanas, atingem o orgasmo com extrema facilidade.
Petter Bockman descreveu o comportamento de girafas, onde 9 de 10 girafas faziam o emparelhamento entre machos. Cada macho que cheirava uma fêmea era identificada como sexo, enquanto as relações anais com orgasmo entre machos mostravam quem possuía maior dominância ou saudações. Em aves, por exemplo, pode ser uma estratégia degarantir a sobrevivência da espécie, como ocorre em cisnes negros, onde se formam trios temporários para se conseguir ovos das fêmeas e depois os machos a expulsam, pois são casais monogâmicos e os animais ficam anos juntos. Um número maior de cisnes cresce mais nestas circunstâncias, sobrevivendo até a fase adulta, do que se fossem criados por heterossexuais. Assim os dois machos podem defender uma área maior de terreno. Nos flamingos, dois machos podem manter um território muito mais do que um par heterossexual, garantindo mais a sobrevivência da espécie.
Os golfinhos-nariz-de-garrafa também é uma espécie bissexual, utilizam o seu “nariz de garrafa” para estimulação das genitálias dos colegas, com isso pode-se fortalecer as amizades. Os bisões americanos montam em seus pares para reforçar a hierarquia, tanto macho com macho, em que pode até haver penetração, mostrando a dominância bem como a montaria entre fêmeas, sendo esse mais raro. Outro fator que estimula o comportamento homossexual na espécie é a falta de opção. Se o acesso às fêmeas é difícil (e elas só estão disponíveis para o acasalamento uma vez por ano), sobra para outro macho desprevenido que estiver por perto.
Como mencionado nos exemplos anteriores, os estudos atuais, vem apontando a função do comportamento homossexual como pacificadora do grupo, seja evitando agressão, criando escalas de submissão ou formando alianças. Ou seja, tudo indica que a homossexualidade está estreitamente ligada à evolução de comportamentos sociais mais complexos, provavelmente agindo como redutora da agressividade entre machos. Se aceitamos os primatas atuais como grupos de comportamentos semelhantes ao nossos ancestrais e levarmos em conta a nossa complicada relações sociais é bem provável que tenhamos um dos maiores índice de homossexualidade (FORASTIERI, 2006).
A criança que futuramente será um homem homossexual apresenta mais características de submissão do que de feminilidade na infância. Não há, contudo, uma relação necessária entre atipicidade de gênero na infância e orientação homossexual (FORASTIERI, 2006). Porém os homossexuais podem ser os portadores genéticos de alguns dos raros impulsos altruísticos da humanidade, um comportamento nitidamente benéfico e importante na organização social humana primitiva. (WILSON, 1981).

VANTAGENS DA HOMOSSEXUALIDADE
*diminuir as tensões e a agressividade e auxiliar na manutenção da coesão social e no fortalecimento das relações entre indivíduos de uma mesma população.
*Esse comportamento pode também auxiliar na criação da prole desses animais, facilitando a alimentação e proteção dos filhotes. É provável que a formação desses casais também confira aos animais proteção contra predadores e um maior sucesso na caça de suas presas. Assim, esse tipo de comportamento estaria associado com um processo de seleção consanguínea.
*Uma explicação alternativa alega que esse comportamento diminuiria agressões e conflitos entre sexos. Um exemplo é observado nos peixes mexicanosGirardinichthys multiradiatus, que simulam a aparência de fêmeas para evitar a agressão de machos maiores e, ao mesmo tempo, garantir o acesso a fêmeas.
*Uma interação interessante entre indivíduos do mesmo sexo é observada entre cobras-garter (Thamnophis sirtalis parietalis). Nesses animais, alguns machos mimetizam o tamanho, os comportamentos e os ferômonios de fêmeas para poderem atrair outros machos e, assim, obter aquecimento e proteção.
Essa propriedade homófilica, exemplo, homem com características masculinas gostar de homem com características masculinas, pode ser a chave do significado biológico. A homosexualidade é acima de tudo uma forma de união; sendo assim coerente com maior parte do comportamento heterossexual. Essa predisposição para a homofilia poderia vem apresentando com uma base genética e esses genes tendo-se espalhado nas sociedades primitivas, nos leva a concluir que é devido a vantagem que conferia e que é um de alguma forma ‘natural’ (WILSON, 1981). E a sua alta freqüência seria improvável que esta venha sendo resposta de uma mutação aleatória (FORASTIERI, 2006).

Como um traço da homossexualidade pode ser tramsmitido? Se é: (1) ligado de alguma forma ao gene (2) tem um impacto negativo sobre o sucesso reprodutivo.

Se os homossexuais estavam tendo tantos filhos quanto os heterossexuais, com a mudança nas relações sociais na atualidade, pode ser que o traçotenha sua freqüência gradativamente diminuída nas populações humanas. Porém esse(s) gene(s) devem trazer alguma outra vantagem para ter conseguido ser mantido ao longo das gerações. Entre as vantagens hipotéticas sugeridas, encontram-se as seguintes:
(1) Vantagem do heterozigoto: Alelos deletérios para reprodução em homozigose podem persistir caso haja vantagem seletiva para o heterozigoto. Machos tendem a exercer relações de dominação nos grupos em que vivem, de forma que animais excessivamente dominantes em tantos conflitos que suas chances de sobrevivência e reprodução bem sucedida poderiam ser diminuídas. Assim, poderia ser vantajosa para alguns indivíduos uma tendência de dominação moderada como os Heterozigotos para esse(s) gene(s)

A homossexualidade pode vir por um fator genético, em que o indivíduo, homem ou mulher tornar-se homossexual durante o desenvolvimento intra-uterino, em que um dos fatores principais é a quantidade de testosterona (hormônio masculino) que será recebido pelo feto, determinando numa fase mais madura se o seu sexo será oposto, ou tenderá ao seu (MOREIRA FILHO, 2008; NETO, 2008; DIAMOND, 1999). Os reais efeitos da testosterona e seus derivados químicos variam segundo a idade, órgão e a espécie. Mesmo assim, a diferença genética total entre homens e mulheres é modesta, apesar das grandes conseqüências a que dá origem. O feto pode ser feminino, e por inibição do sinal de bloqueio do hormônio, o bebê continua recebendo a testosterona como se fosse do sexo masculino, e assim o indivíduo nascerá com o corpo de mulher, porém com uma mentalidade masculina, o oposto também ocorre (DIAMOND, 1999).

Sergey Gavrilets e William Rice, da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, têm estudado os genes
 que podem influenciar a homossexualidade humana. Esses pesquisadores têm observado que esse comportamento, como seria de se esperar, é bastante complexo e está associado com um grande número de genes. Mas ainda não é possível apontar, para a nossa espécie, razões adaptativas associadas a esse comportamento. E para além de eventuais fatores biológicos que possam estar associados à orientação sexual na espécie humana, devemos ter sempre em mente que ela é influenciada também por inúmeros fatores ambientais e pela história de vida de cada indivíduo.
Nesse sentido, a compreensão dos papéis dos diversos tipos de relacionamentos entre indivíduos do mesmo sexo e a adaptação ecológica e evolutiva das populações nas quais esse fenômeno ocorre pode enriquecer a nossa compreensão sobre como a seleção natural molda as interações sociais, a reprodução e mesmo a morfologia das espécies.
(2) A persistência de genes que, de certa forma, contribuíssem para a homossexualidade seria causada, para alguns pesquisadores, pelo altruísmo das pessoas homossexuais.
Segundo Wilson (1981), fundador da sociobiologia, homossexuais poderiam ser portadores genéticos de impulsos altruísticos raros na espécie.
(3) Alelos ligados ao cromossomo X, que confeririam maior vantagem reprodutiva a fêmeas do que a machos, também foram considerados como possíveis fatores relacionados à homossexualidade. Estudos relatam que, geralmente, as pessoas não-heterossexuais têm parentes não-heterossexuais do lado materno, ou seja, é uma herança materna.
Já analisados então as possíveis causas para a manutenção de uma base genética para a homossexualidade durante a evolução (a questão adaptativa), vamos então partir para analise das contribuições dos estudos sobre fatores genéticos associados ao traço (a questão estrutural).
Uma das maneiras mais utilizadas para analisar a participação de componentes biológicos e ambientais é o estudo em gêmeos. Quando comparada a hereditariedade dos genes homossexuais entre irmãos o componente genético se mostra forte: Em relação à determinação genética para a orientação sexual, uma vez que gêmeos dizigóticos e irmãos não-gêmeos do sexo masculino deveriam apresentar as mesmas proporções de concordância, e não diferenças tão grandes como as relatadas (de 24% para 13%). Logo, pode-se argumentar, nesta base, que um componente ambiental deve estar fortemente implicado no desenvolvimento do traço, pois 43% dos gêmeos monozigóticos, mostrado discordância para a orientação sexual. Logo, fatores ambientais podem ter sido a causa de tal discordância.
A compreensão da contribuição genética, hormonal, neurofisiológica e social para a orientação sexual humana tem se acumulado, nas últimas décadas. Alguns estudos que analisam a orientação sexual de gêmeosmonozigóticos, dizigóticos e irmãos adotivos indicam que a tendência à homossexualidade possui um componente hereditário e poderia conferir ganhos adaptativos, pelo menos para homossexuais masculinos.
Há indícios da ocorrência de uma associação entre a homossexualidade e genes presentes no braço longo do cromossomo X (Xq28). Brian Mutanski, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), realizou um estudo com 456 indivíduos de 146 famílias que possuem dois ou mais irmãos homossexuais. Os resultados indicam que várias regiões dos cromossomos não sexuais também influenciam o comportamento homossexual. Contudo, a equipe de Mutanski não observou uma associação entre a região Xq28 e a homossexualidade (BORGES, 2010).
Pesquisas com a mosca da fruta, mostram que nessa espécie, uma das alterações mais estudadas ocorre no gene conhecido como genderblind(algo como ‘cego para o gênero’, em inglês), associado com os níveis extracelulares de glutamato. Esse neurotransmissor regula o processamento da informação feromonal nos neurônios cerebrais dos machos de drosófila, e a alteração torna esses insetos incapazes de distinguir indivíduos do sexo oposto (BORGES, 2010).
A associação entre homossexualidade e ativação por feromônios também está no foco de vários pesquisadores, como, por exemplo, Ivanka Salic, da Universidade Kariolisnka (Suécia). Segundo Salic, nos cérebros de homossexuais do sexo masculino, há regiões ativadas em resposta os derivados da testosterona, e que apresentam propriedades similares às dos feromônios. E no caso das mulheres derivados do estrogênio (BORGES, 2010).
Ainda há enorme desconhecimento em relação a características genéticas e às numerosas influências do ambiente sobre a orientação sexual de cada indivíduo. Apesar da enorme complexidade associada às manifestações comportamentais em nossa espécie, algumas das hipóteses citadas anteriormente para justificar relações homossexuais entre animais podem ser também aventadas para explicar esse comportamento entre os humanos (BORGES, 2010).

Esse ensaio foi elaborado na disciplina de Etologia e baseado nos textos abaixo:

BBC NEWS - Oslo gay animal show draws crowds. Outubro de 2006. Disponível em: http://news.bbc.co.uk/2/hi/6066606.stm. Acessado em 4 abril de 2011.
BRUCE BAGEMIHL. Biological Exuberance: Animal Homosexuality and Natural Diversity, St. Martin's Press, 1999.
BORGES, Jerry Carvalho. Os segredos no fim do arco-íris. Revista Ciência Hoje. Junho de 2010. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/por-dentro-das-celulas/os-segredos-no-fim-do-arco-iris/?searchterm=Os segredos no fim do arco-íris. Acesso em 13 Abril de 2011.
DIAMOND, J. M. Por que o sexo é divertido? A Evolução da Sexualidade Humana. P 49 – 50. 1999.
Encyclopedia Encydia beta. Disponível em: http://pt.encydia.com/es/Homosexualidad_em_animais. Acessado em 29 de março do 2011.
Folha.com – Galinha choca donos ao ‘mudar de sexo’ no Reino Unido. Publcado em: 01 de abril de 2011. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/896915-galinha-choca-donos-ao-mudar-de-sexo-no-reino-unido.shtml. Acessado 02 abril de 2011.
Folha.com – Golfinho faz sexo gay para manter amigo; veja ranking animal. Publicado em: 20 de agosto de 2010. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/785884-golfinho-faz-sexo-gay-para-manter-amigo-veja-ranking-animal.shtml. Acessado dia 02 de abril de 2011.
FORASTIERI V. Orientações Sexuais, Evolução E Genética. 2006. Candombá – Revista Virtual, v.2, n. 1, p. 50-60.
GORDON, DR DENNIS ‘Catalogue of Life’ reaches one million species. National Institute of Water and Atmospheric Research.
MOREIRA FILHO, F. C. A Homossexualidade e a Sua História. 2008. Disponível em: http://intertemas.unitoledo.br/revista/index.php/ETIC/article/viewFile/1645/1568. Acesso em: 18 abril 2011.
NETO, A. V. L. História da Homossexualidade. 2008. Disponível em: http://www.revistaladoa.com.br/website/artigo.asp. Acesso em 19 abril 2011.
WILSON, E.O. Da natureza humana. São Paulo: EDUSP, 263p. 1981.

Obs: A palavra homossexualismo foi trocada por homossexualidade pelo fato da mesma não constar no meio científico por conotar uma doença, termo qual foi extinto pela OMS em 1991

A questão da preferência sexual (ativo, passivo e versátil) no relacionamento afetivo e sexual e suas consequências

Sem duvida um dos maiores problemas encontrados no relacionamento e na busca do sexo homossexual é a questão da preferência sexual (ativo, passivo, versátil).
A maioria dos gays não se identifica como passivo ou ativo por meio de experiência e sim por meio de um esteriótipo, aonde a masculinidade é “maior” e determina o ativo, a feminilidade é “menor” e determina o passivo e os versáteis são vistos com certa desconfiança, pois a cultura machista (que ainda se faz presente mesmo entre os homossexuais) necessita de um estabelecimento para um sexo prazeroso. Não somente o sexo, mas também para um relacionamento. A questão da definição do papel sexual na cama é muito mais profunda do que mera questão de prazer, as vezes ela é determinante para um relacionamento, aonde se não houver um “encaixe” perfeito, o relacionamento não consegue progredir.
A questão é profunda, possui significados psicológicos profundos, aonde um jogo de poder acontece, sempre baseado nos papéis de dominação e submissão. Alguns pensam que o prazer do ativo vem da penetração, porém não é bem assim, o prazer do ativo vem da sensação de dominação do passivo, assim como a sensação de prazer do passivo não vem só do ser penetrado e sim de ser dominado, ver a questão da preferencia sexual apenas do ângulo penetrar e ser penetrado é muito simplista é errônea, visto que todos nós possuímos zonas erógenas tanto no ânus, quanto no pênis, portando é certo afirmar que a questão da preferência sexual se dá muito mais por fatores psicológicos de prazer do que biológicos (embora os dois estejam intimamente ligados). Aparentemente isso a olho leigo não traz problemas de relacionamento, mas não é uma realidade, as vezes a questão de dominação e submissão se transformam em uma única forma de se obter prazer e também de se relacionar, restringindo muitas vezes a novas experiências de relacionamento que podem ser muito benéficas. Um exemplo clássico é quando uma conversa anda muito bem, todos os gostos se combinam, todas as aspirações se atraem e ao descobrir a preferência sexual ativa ou passiva do interessado, tudo “desmancha” e o encanto quebra.
As relações heterossexuais possuem esse comportamento típico, porém se tratam de oposto e não de iguais como em um relacionamento homossexual, se na cultura heterossexual os papéis sexuais possuem forte influência, nas relações homossexuais, mais ainda. Na relação homossexual, restringir as polaridades – passiva e ativa – é altamente limitador pois é necessário que haja uma interação para uma completude sexual (e também afetiva). A relação versátil (aonde os parceiros variam entre os papéis de ativo e passivo) possibilidade uma união não somente sexual, mas também afetiva, abrindo caminho para uma libertação emocional e uma quebra do pré-conceito aonde o passivo é mais feminino e o ativo mais masculino, esta concepção não deve haver entre um relacionamento homossexual. O relacionamento homossexual por envolver dois homens não pode estar sujeito as diretrizes estabelecidas pelo relacionamento heterossexual machista, nem aos dogmas moralistas da ideologia heterossexual, caso haja essa concepção limitadora de passivo e ativo muitos possibilidades afetivas e sexuais entre gays se encerram.
Como diz o Psicólogo Klecius Borges a respeito dos papéis sexual em seu livro Desiguais: “Os só ativos ou os só ativos, tanto na cama, quanto na vida, podem estar não apenas reproduzindo de forma inconsciente um padrão heterossexual esteriotipado, mas também perdendo a oportunidade de explorar e descobrir outras formas de amar e ser amado”
Creio que o medo de ser passivo (em uma pessoa que se considera ativa) esta relacionada a dor e ao medo de estar se tornando menos másculo, mas a questão da dor é subjetiva, visto que a dor é uma questão de contingência de reforço, meramente psicológica que resulta em um estado físico de retração muscular anal pela tensão, provocada pelo medo e insegurança. Um ativo que esta acostumado a ser ativo, começa a entender que só esta forma é prazerosa e as demais desnecessárias , visto que o comportamento ativo foi muito repeitido e prazeroso é visto como positivo e a atividade passiva como “negativa”, então ser ativo é positivo e passivo negativo pois ocasiona dor e não é possível um relaxamento (no caso do ativo). Já no caso do passivo a questão é basicamente a mesma, com um teor maior de insegurança ao ser ativo, pois o medo da impotência causa tamanha tensão que acaba acontecendo realmente, ser ativo para o passivo é muito difícil pela questão psicológica de talvez estar afetando a sua “homossexualidade definitiva” levando mais uma vez a uma esteriotipação do comportamento heterossexual. Ser ativo para o que se denomina passivo é possível e ser passivo para o que se denomina ativo também, a questão é basicamente uma questão de prática e repetição.
O Psicólogo e Terapeuta Sexual João Batista Pedrosa dá algumas dicas em seu site sobre como ser versátil (uma dica a um leitor que se descreve como ativo): Para você ser passivo, você tem que reforçar positivamente este comportamento. Ao invés de dor você tem que sentir prazer. Com a prática e a repetição você conseguirá.
Dicas para você:

1. peça para o seu parceiro fazer o Beijo Grego em você, que consiste nele passar a língua no seu ânus;

2. em seguida, peça para ele fazer uma massagem anal, colocando bastante gel no dedo e introduzir devagar no seu ânus;

3. relaxe e respire fundo;

4. quando estiver bem relaxado peça para ele introduzir dois dedos;

5. finalmente ele poderá introduzir o pênis em você com camisinha e bastante gel lubrificante.

Você deve praticar muitas vezes os pontos 1, 2, 3, e 4. No mínimo 10 vezes. Quando começar a sentir bastante prazer na massagem anal e tiver relaxando bem vá para o ponto 5. Boa sorte! E sucesso na nova vida de versátil.”

Homossexualidade simples assim


Do ponto de vista Psicanalítico, tento aqui resumir bastante a questão a ponto de pessoas leigas e que não possuem qualquer conhecimento sobre sexualidade possam entender algumas coisas sobre a homossexualidade, me atendo sempre ao que temos hoje para elucidar a questão. 

Homossexualidade 

Falar sobre homossexualidade nunca é fácil, sempre há quem concorde ou discorde dos pontos de vista dos mais variados especialistas, mas aqui quero me ater ao que hoje temos que possa elucidar a questão.

Hoje temos duas vertentes tentando explicar a homossexualidade, temos a questão genética que em muito avançou com que diz respeito a homossexualidade, mostrando que há sim um fator genético na homossexualidade, embora não seja determinante e os estudos não sejam conclusivos, temos a questão da formação do homossexual por fatores externos ( psicológicos ) que mostra que sim, há um fator psicológico, porém que não é também conclusivo.

Falar que a homossexualidade feminina acontece por conta de decepções amorosas com homens é um erro, visto que existem mulheres que jamais se relacionaram com homem e possuem sua orientação sexual voltada para mulheres. Outro erro muito comum e que caiu no dito popular é que homossexuais são o que são porque foram molestados quando crianças, isso não é uma realidade quando se trata de orientação sexual, a maioria dos homossexuais não apresenta uma história que contenha abuso sexual na infância, é fato que existem pessoas que em sua infância sofreram abuso sexual e tendem a desenvolver um comportamento homossexual ou heterossexual patológico o que é diferente de orientação sexual. 
É um erro achar que a homossexualidade é somente atração sexual, homossexualidade é um conjunto de atrações e vínculos afetivos, emocionais e também sexuais, assim como acontece na heterossexualidade.  
Além deste erro temos outro, de achar que a homossexualidade é uma opção, uma questão de escolha consciente, para entender que isso não é uma verdade não se precisa ir a fundo à questão, é apenas olhar para a sociedade e ver como ela encara a homossexualidade, embora em muito se tenha evoluído, podemos observar pelo último relatório publicado pelo GGB ( Grupo Gay da Bahia ) que um LGBT ( Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis ) é morto a cada 36 horas, o que mostra que nossa sociedade ainda é marcada pelo preconceito, diante disto e de tantos outros fatores que acometem homossexuais por sua mera orientação sexual é difícil imaginar alguém optando por ser assim, seria o mesmo que optar por sofrer preconceito, ter menos direitos, oportunidade de trabalho. 
O que a Psicanálise se dispõe a explicar é que formação da nossa personalidade é complexa sendo fortemente marcada em nossos primeiros 6 ( seis ) anos de vida por diversos fatores externos que não se pode “prevenir” e que se no futuro resultar em uma orientação sexual homossexual não se pode reverter. 
Os mesmos mecanismos que se aplicam na formação de uma orientação sexual homossexual, se aplica na formação da orientação sexual heterossexual, se for considerar a homossexualidade uma escolha a heterossexualidade também deveria, e sinceramente não vejo ninguém falando que “escolheu ser heterossexual”, pois isso implicaria em no mínimo uma bissexualidade inata, o que já gera uma ojeriza nas pessoas que não entendem o mínimo dos “porquês” da diversidade sexual.